Cantora carioca e artista brasileira, compositora, professora de canto e preparadora vocal, formada em Licenciatura em Música pela UNIRIO, atuo na cultura e na cena musical independente nacional desde 2004.
Através de diversos projetos musicais, peças, shows de lançamento e circulação de meus álbuns e como convidada de outros artistas me apresentei em teatros e casas de shows pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil.
No luizaborges.com.br estão as informações detalhadas da minha carreira como cantora e docente da voz, com links para as principais plataformas de streaming e para as minhas redes sociais.
Aqui, dou vazão a outra linguagem presente na minha vida: a escrita.
Não me profissionalizei escritora; além de ler e escrever naturalmente, nada fiz no aspecto formativo. Até poderia, predisposição e paixão não faltaram.
Mas a música e a voz cantada sempre falaram mais alto; desci com as duas coladinhas na pele, como se fôssemos uma. Caminhar na direção delas foi simplesmente seguir o fluxo. Mesmo assim, escrevo desde miúda. Lancei livrinho de poesias quando criança, na escola, e um livro de poesias quando adulta, no Centro Cultural Casa Benet Domingo, em 2016. O livro se chama Silêncio Absoluto.
O tempo passou e, embora nunca tenha parado de escrever, não lancei mais livros de poesia. Eu estava cantando, gravando, compondo, ensinando, exercendo a minha profissão de fato… Passou tanto tempo que quase não me identifico mais com os poemas publicados há dez anos atrás, tirando um ou outro.
As poesias permanecem, no entanto, sendo um grande amor e os textos longos têm vindo com muita vontade. Como cansei de ter que adaptá-los ao limite de caracteres do Instagram, voltei para este ambiente de blog.
Digo “voltei” porque já estive por aqui pelos 20 e poucos. Estou agora com 42. Os textos dessa época estão fora do ar e só não foram deletados por pura nostalgia; é bonito ler como a gente escrevia numa fase que não é mais.
Voltei porque preciso escrever sobre perda. Em muitos aspectos; subjetivos, concretos, difíceis, positivos. E um deles, a vávula propulsora desse blog, é urgente: preciso perder muitos kilos para recuperar minha saúde plena e, por menos prático que possa parecer, a escrita está, dessa vez, no centro do processo.
Sobre tratar a obesidade, passei por isso antes. Perder e ganhar peso não é novo para mim, mas é intenso, sintomático, doído tanto quanto outras coisas profundas que na vida perdi e ganhei. E, provavelmente, por essa razão, notei não ser mais possível separar a experiência de perder massa corporal, todas as emoções e camadas que isso traz, de outras experiências de perda.
No geral, perder — o tempo, as pessoas, os desejos, os espaços, o sentido, a importância, o controle, os escudos, a saúde — sempre foi um dos meus maiores medos. Para não dizer, talvez, o maior de todos. E algo me diz que tudo de importante que perdemos, se concecta, de alguma forma, com todas as nossas grandes memórias de perda, as boas e as ruins. Sinto, então, que escrever sobre o processo multifacetado de ganho e perda de peso, mergulhando no que perdas e mudanças movimentam em mim, tornará mais possível o enfrentamento e a relação com a necessidade de emagrecer.
Formas violentas de perder peso já experimentei; estar subjugada a um autoolhar gordofóbico já experimentei também, e nada disso me interessa há anos. Me interessa a minha saúde transversal, me interessa eu mesma.
Se esses fossem os únicos caminhos, eu nem tentaria; eles cabem menos em mim hoje do que uma roupa da época em que eu estava magérrima.
Sei que existem opções melhores, que não incluem tortura e terrorismo alimentar, que prezam por escolhas inteligentes e harmonia com o próprio corpo, consigo. Também já perdi peso assim. Com menos maturidade emocional do que atualmente, é verdade, mas fiz um bom trabalho no passado.
É necessário um novo elemento para seguir em frente desta vez. Viver esse movimento junto com a minha escrita, dessa maneira, é inédito para mim e, sem dúvidas, mais completo, revolucionário para o meu coração, mais estimulante e mais divertido. Se a obesidade é uma doença multifatorial, meu tratamento também o será — mais do que jamais foi e, agora, com a expressividade e a escrita no cerne da coisa. Esta será a minha “magia”, o remédio que eu mesma me darei, o gato dando seus pulos a cada texto, quilo perdido, lágrima e riso.
E, seja como for, escrevendo poderei amadurecer mais o traço de tanto temer as perdas de tudo que a mim importa, e de evitar aquelas que só me fariam bem.
Então, principalmente, duas Luizas voltaram por aqui: a que escreve e tem um corpo de palavras e a que vive e teme dentro de seu corpo de carne, gordura e ossos.
Sejam bem-vindos.
